sexta-feira, fevereiro 8

TEXTO 2 - RICARDO


Dia 14 de Fevereiro. Que melhor dia para um encontro romântico. O primeiro encontro. Ele planeou tudo ao milímetro. Jantar à beira-rio, à luz das velas. Restaurante: Yeathman Hotel Porto. Vista mesmo por cima do Douro, com um olhar posto na bela cidade do Porto, com o seu ar nocturno. Única regra: traje de gala e máscara. Não que as suas caras não sejam conhecidas, não que não se tenham já falado. Mas a sensualidade do secretismo, a excitação do mistério, atrai ambos.
RM de fato preto, laço e camisa branca, com uma máscara à zorro. Recebe SG, como cavalheiro que é, com um beijo na mão. SG veste um vestido preto, justo, um pouco acima do joelho. Uma máscara prateada, tapando apenas os olhos, com rebordo a brilhantes e duas plumas vermelhas. Preto e vermelho, as cores preferidas de RM. Ela acertou em cheio. “De que cor será a lingerie?”, pensou RM.
Segurando-lhe gentilmente no braço, RM conduz SG escada acima, em direcção ao restaurante. Cheio, como era de esperar. Mas aqui surge a primeira surpresa. Num canto da sala, longe de tudo e todos, uma mesa, encostada a uma ampla janela com vista panorâmica, com dois lugares e duas velas vermelhas, diferentes de todas as outras. Ao chegar à mesa, RM segura o casaco de SG e ajuda-a a sentar-se. Move-se para a sua cadeira e senta-se. Apesar do desconforto, as máscaras nunca são removidas. O jantar está decidido, bem como a bebida. Liberta tempo para a conversa. Conhecem-se um pouco melhor. Com ajuda do álcool, provocam-se, tocam-se inocentemente. Termina o jantar. RM levanta-se e veste o casaco. Aproxima-se de SG e ajuda-a a levantar-se, segurando-lhe a mão. Põe-lhe o casaco pelas costas. Aproveitando estar por trás do seu par, RM, num gesto contínuo, tira o laço e amarra-o na cara de SG, tapando-lhe os olhos. As coisas começam a aquecer, ou a ficar estranhas. Segura-lhe gentilmente no braço e leva-a.
SG começa a ouvir música. É um slow. A música fica cada vez mais alta e SG apercebe-se que entraram numa sala. RM fecha a porta por trás de si e retira a venda a SG. O salão de baile era só deles. RM tinha providenciado a que mais ninguém entrasse. Tinham a pista de dança e o bar por sua conta e risco. O slow continuava a tocar. RM pegou no casaco e na mala de SG e colocou-os num banco do bar. Agarrou uma mão e, de seguida, agarrou-se a ela e puxou-a para si, segurando-a firmemente nos seus braços, com os corpos bem juntos um no outro. Os olhos de SG diziam muito, naquele momento. Passaram duas, três músicas e não se largaram. De olhos colados um no outro. A intensidade daquele momento era tal que podia ser agarrada e sentida ao toque.
Decidiram parar uns segundos e pedir umas bebidas. Sentaram-se ao bar e continuaram a conversa. Ela a dizer piadas, ela a rir. Um misto de timidez com excitação assolava os dois. Estavam sós, na sala, com o DJ e o barman, mas emanavam calor por trinta pessoas. RM largou o casaco e arregaçou as mangas, as máscaras, era obrigatório, permaneceriam até ao fim. Agarrou-a de novo e puxou-a para a pista. Corpos juntos, a fumegarem, agora dançavam ritmos latinos, para aumentar, um pouco mais, a temperatura. Vendo gotas de suor caindo do rosto de SG, RM aproximou a sua mão da cara de SG e, aproveitando-se da situação, limpou-a, afagando-a ao mesmo tempo. Um gesto de carinho sentido e bastante apreciado pela parceira. Logo de seguida, RM ganhou coragem e beijou-a levemente, nos lábios. O primeiro beijo. SG retribuiu. Continuaram a dançar.
A noite ia longa. Decidem parar a dança e beber mais qualquer coisa, para hidratar e recuperar forças. “Reservei um quarto.”, diz RM, “Mas a decisão de ficarmos é tua. Se quiseres ir para casa, eu levo-te. Diverti-me demais esta noite. Quero repetir. No entanto, se quiseres ficar, podemos dar continuidade à noite”. SG olha RM nos olhos, pensativa. O que fazer? Aproxima-se de RM e beija-o. “Eu também me diverti. Muito mesmo. Mas, se não te importas, quero ir para casa. Ainda que o desejo que sinto, neste momento, seja maior e mais forte que eu, não quero apressar as coisas e magoar-me, ou magoar-te a ti”. RM assentiu e beijou-a, apaixonadamente. Pegou no casaco de SG e ajudou-a a vesti-lo. “Não quero que apanhes frio”, disse. Pegou na mala de SG, no seu casaco e no laço e, segurando SG pelo braço, como um verdadeiro cavalheiro, caminhou pelo hotel fora, como se fosse dono do mundo. O melhor encontro romântico de toda a sua vida estava a terminar e queria disfrutar dos últimos momentos, da mesma forma que disfrutou dos momentos anteriores.
Chegaram ao carro. RM abre a porta do passageiro e, antes de ajudar SG a entrar, beija-a novamente. Fecha a porta do passageiro, dá a volta ao carro, senta-se ao volante e liga o carro. “Acho que podemos tirar a máscara”, diz por fim. Com os rostos desnudos, observam-se, com um fogo e um brilho intenso nos olhos. Beijam-se novamente. RM olha para a estrada e partem.
Fim.

Um comentário:

Ricardo Machado disse...

Este texto é muito feio. Não gosto nada. ;) Ainda bem que gostaste e que merece estar postado no teu blogue. Beijinho.

Quem não me perde de vista

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